Decepção com ICMS derruba ações da Light

As ações da Light devolveram ontem boa parte dos ganhos obtidos no início da semana, depois que executivos da Cemig disseram, em teleconferência, que a companhia deve reconhecer no máximo R$ 3 bilhões em créditos fiscais no caso de uma vitória no pleito na Justiça que pede a exclusão da incidência do ICMS sobre a base de cálculo do PIS e Cofins.

No início da semana, a percepção de que a Light poderia obter um ganho substancial com a questão do ICMS impulsionou as ações, que acumularam ganho de 9,9% nos dois primeiros dias da semana. Ontem, contudo, as ações acentuaram as perdas durante a teleconferência da Cemig, e terminaram com queda de 7%, a R$ 21.

A alta aconteceu depois que a Equatorial reconheceu ganho extraordinário de R$ 171 milhões em seu balanço do último trimestre do ano passado. No total, a companhia reconheceu ativo fiscal de R$ 756 milhões em créditos de PIS e Cofins a recuperar, mas um passivo de R$ 580 milhões a ser repassado aos consumidores. A diferença ficará com a companhia, que entende que só deve devolver aos consumidores créditos de impostos recolhidos nos últimos 10 anos. A decisão abrangeu 17 anos de bitributação.

Segundo Leonardo George de Magalhães, superintendente de controladoria da Cemig, a estatal mineira deve reconhecer no máximo R$ 3 bilhões em créditos fiscais de PIS e Cofins a recuperar se tiver vitória semelhante a da Equatorial. Desses, R$ 2 bilhões se referem à distribuidora, sendo que parte será devolvida aos consumidores pela tarifa. Outro R$ 1 bilhão seria reconhecido pelo seu braço de geração e transmissão, a Cemig GT.

Segundo uma fonte, no caso dos créditos de distribuição, a Cemig deve repassar aos consumidores 70% do total, ficando com o ganho de R$ 600 milhões.

A percepção de que o montante máximo a ser recebido pela Cemig é de R$ 1,6 bilhão ajudou a pressionar as ações da Light, já que indica que a companhia pode ter um ganho menor do que o esperado pelo mercado, na casa de milhões. A Cemig é uma empresa maior, e a alíquota do ICMS em Minas Gerais é maior que o do Rio de Janeiro. Segundo uma fonte, a companhia fluminense ainda calcula quanto terá a receber, mas deve ser um ganho extra bem menor que o potencial da estatal mineira.

A companhia fluminense, que tem a estatal mineira como sua maior sócia, foi um dos principais assuntos da teleconferência. O diretor de gestão de participações da Cemig, Daniel Faria Costa, disse que o formato de venda da Light não está definido, mas que a oferta subsequente de ações (“follow on”) é uma “tendência natural.”

“Queremos pegar uma janela que vá no máximo até o meio do ano, vamos acelerar o processo”, disse Costa. Segundo ele, a companhia nunca parou de falar com investidores, mesmo depois que o acordo para que a GP Investments ancorasse a operação foi encerrado no fim do ano passado. “Percebemos que o mercado tem muito interesse no ativo, esperamos ter passos concretos na formação do novo conselho de administração que vai conduzir o processo”, afirmou.

Enquanto as ações da Light recuaram, os papéis preferenciais da Cemig subiram 1,4% ontem, para R$ 13,69. As ordinárias avançaram 2,23%. a R$ 15,61.

Fonte: www.valor.com.br

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